Brasil: Explode a chegada de marroquinos a Santa Catarina

0 Comentários

Alfredo Bessow

Alfredo Bessow

26/08/2026

Em apenas dois meses, 50 marroquinos receberam assistência dos serviços sociais de Florianópolis, enquanto as autoridades reforçam os controles diante do aumento da chegada de migrantes à capital catarinense

Santa Catarina entrou no radar de uma nova e preocupante pressão migratória. O aumento da chegada de estrangeiros, especialmente de cidadãos marroquinos, começa a chamar a atenção das autoridades e a provocar questionamentos sobre a capacidade dos municípios de absorver novos fluxos populacionais.

Em Florianópolis, pelo menos 50 marroquinos receberam assistência dos serviços sociais em um período de aproximadamente dois meses e meio a três meses. O número, embora pequeno diante da população da capital catarinense, chama atenção pela velocidade do fluxo e ocorre em um momento em que o município já enfrenta dificuldades relacionadas à população em situação de rua e à demanda por assistência social.


Irresponsabilidade federal

A questão não se resume à nacionalidade dos recém-chegados. O problema central é saber até que ponto cidades que já enfrentam pressão sobre moradia, assistência social e mercado de trabalho conseguem receber novos contingentes sem planejamento, estrutura e participação efetiva do governo federal.

Florianópolis decidiu endurecer a abordagem. A prefeitura instalou um posto de assistência social na rodoviária e passou a identificar pessoas que chegam sem emprego ou moradia. O prefeito Topázio Neto afirmou que a estrutura busca evitar que a capital se transforme em destino de pessoas encaminhadas de outras cidades sem qualquer vínculo ou condição de permanência.

A prefeitura também informou ter encaminhado mais de 500 pessoas de volta aos seus municípios ou cidades de origem em 2025, oferecendo passagens para aqueles que desejavam retornar. A medida, porém, provocou reação da Defensoria Pública e do Ministério Público, que passaram a questionar os limites jurídicos dessa política.

O episódio expõe um conflito que tende a se tornar cada vez mais difícil de ignorar: de um lado, o direito de circulação e a proteção social dos migrantes; de outro, a responsabilidade dos governos municipais de administrar recursos públicos limitados e preservar a capacidade de atendimento da população local.

E Santa Catarina não está isolada desse fenômeno.

Os números nacionais mostram que o Brasil continua recebendo fluxos expressivos de estrangeiros. Segundo dados do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), em 2025 foram registrados 75.599 pedidos de refúgio no país. Desse total, 41.919 foram apresentados por cubanos, equivalentes a 55,4% das solicitações, um crescimento de 88,1% em relação ao ano anterior.

Os venezuelanos apareceram em segundo lugar, com 21.233 solicitações, correspondentes a 28,1% do total. O cenário demonstra que a pressão migratória brasileira não se restringe a uma única nacionalidade ou região de origem.

No caso venezuelano, a Operação Acolhida e a política de interiorização levaram milhares de pessoas a diferentes municípios brasileiros, distribuindo parte significativa da pressão migratória para além da região de fronteira.

O debate, portanto, precisa deixar de ser tratado apenas como uma questão humanitária ou ideológica. Existe também uma dimensão econômica, social, urbana e de segurança que precisa ser enfrentada com transparência.

Municípios não possuem recursos ilimitados. Abrigos, atendimento social, saúde, educação, habitação e inserção no mercado de trabalho têm custos. Quando novos fluxos populacionais chegam sem planejamento adequado, a conta inevitavelmente acaba recaindo sobre as administrações locais — e, em última instância, sobre os contribuintes.

É justamente por isso que o caso de Florianópolis merece atenção. A chegada de 50 marroquinos em poucos meses pode parecer um número modesto isoladamente. Mas, quando inserida em um cenário nacional de crescimento e diversificação dos fluxos migratórios, ela funciona como um sinal de alerta para um problema maior: quem está planejando a imigração para o Brasil e quem será responsável pelos seus custos?

A discussão não deveria ser sobre fechar as portas indiscriminadamente. Deveria ser sobre estabelecer critérios, fiscalização, planejamento e responsabilidade. Um país pode acolher quem precisa de proteção sem abrir mão do controle sobre seus fluxos migratórios.

Para Santa Catarina, a questão começa a ganhar contornos concretos: até onde os municípios conseguirão absorver novos fluxos sem comprometer os serviços públicos destinados à própria população?

Alfredo Bessow
Alfredo Bessow
0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *