Botsuana financia e apoia escravidão de médicos cubanos

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Alfredo Bessow

Alfredo Bessow

26/08/2026

A ONG Defensores dos Prisioneiros denuncia que Botsuana paga cerca de US$ 4 mil mensais por médico ao regime cubano, enquanto cada profissional recebe apenas aproximadamente US$ 1 mil

Uma investigação da ONG Prisoners Defenders expõe o que classifica como um esquema de exploração e trabalho forçado envolvendo médicos cubanos enviados a Botsuana. Segundo a organização, o governo botsuanês paga ao regime de Havana cerca de US$ 4.094 por mês por cada especialista, enquanto o profissional recebe apenas US$ 1.000. O restante, aproximadamente 75,6% do valor, fica com a ditadura cubana.

Para Javier Larrondo, presidente da ONG, não se trata de simples cooperação médica, mas de um sistema no qual Havana transforma profissionais de saúde em fonte de divisas, retendo a maior parte do dinheiro pago pelo país africano.

O contingente em Botsuana reúne cerca de 90 profissionais. Pelos valores do acordo, o esquema representaria mais de US$ 4,2 milhões anuais para o regime cubano. Documentos administrativos indicariam ainda que as autoridades botsuanesas conhecem há anos os valores efetivamente recebidos pelos médicos.

A situação se torna ainda mais grave diante das regras impostas pela missão cubana. Segundo a denúncia, os profissionais enfrentam restrições para sair de seus distritos, receber visitas, pernoitar fora das residências determinadas, dirigir veículos ou circular à noite. Também haveria vigilância, controles nas moradias e punições para quem divulgar informações consideradas sensíveis.

Relatos reunidos pela organização apontam que médicos não teriam recebido cópias de seus contratos, tiveram passaportes retirados pelas autoridades cubanas e cumpriam jornadas que chegavam a 64 horas semanais. A ONG afirma ainda que profissionais eram pressionados a denunciar possíveis colegas que pretendiam abandonar a missão.

O mecanismo de controle não terminaria em Botsuana. Médicos que abandonam missões ou não retornam a Cuba podem enfrentar punições previstas na legislação cubana, incluindo anos de prisão e restrições para voltar ao país.

A denúncia desmonta, segundo a Prisoners Defenders, a propaganda de Havana de que suas missões internacionais seriam exclusivamente atos de solidariedade. Por trás do discurso humanitário, a organização aponta um modelo no qual o Estado cubano controla, vigia e explora seus próprios profissionais, transformando médicos em instrumentos de arrecadação de uma ditadura falida.

A ONG exige que Botsuana pague diretamente os salários aos profissionais, investigue as denúncias sem interferência cubana e suspenda imediatamente as medidas de controle impostas pela missão.

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