Cuba e FCB ficam com 25% dos salários do atletas no exterior

0 Comentários

Alfredo Bessow

Alfredo Bessow

25/08/2026

Jogadores cubanos denunciam que a Federação Cubana de Beisebol e a estatal Cubadeportes retêm até 25% de seus salários em contratos no exterior. A acusação contradiz a versão oficial do governo e expõe o sistema estatal de controle sobre atletas que atuam em clubes estrangeiros.

O jogador cubano José Ramón Rodríguez Menéndez denunciou que a Federação Cubana de Beisebol (FCB) retém até 25% dos salários de atletas que atuam no exterior por meio de contratos administrados pelo regime. Segundo ele, essa prática foi um dos principais motivos para seu afastamento da entidade, que classificou como uma “máfia”.

A denúncia contradiz o presidente da FCB, Juan Reinaldo Pérez, que afirmou ao jornalista estatal Pavel Otero que os jogadores contratados por meio da Cubadeportes recebem 100% de seus salários. Segundo o dirigente, os clubes destinariam 20% do valor dos contratos ao Estado, sem descontar esse montante dos atletas. Pérez também afirmou que o governo auxilia os jogadores com vistos, passaportes e documentação de viagem.

Rodríguez Menéndez contestou a versão. Segundo ele, nas duas ocasiões em que rescindiu contratos com a FCB, foi obrigado a pagar uma porcentagem de seu salário à federação, além de outros 5% destinados à Cubadeportes. Somados, os descontos chegariam a 25%.

O jogador, que recentemente encerrou um contrato independente na Venezuela, afirmou ainda que essa prática não seria exclusiva de seu caso, mas aplicada aos atletas que deixam contratos administrados pela estrutura estatal cubana.

A Cubadeportes também administra contratos de importantes jogadores cubanos no Japão. Raidel Martínez assinou em dezembro de 2024 com o Yomiuri Giants por US$ 32,5 milhões por quatro temporadas. Segundo os valores divulgados, o Estado cubano ficaria com cerca de US$ 8,125 milhões do acordo.

Liván Moinelo renovou em março de 2024 com o SoftBank Hawks por quatro temporadas, em um contrato de US$ 26,4 milhões. Já Ariel Martínez assinou por quatro anos com o Nippon Ham Fighters por US$ 8 milhões.

A estrutura também intermedeia contratos de jogadores cubanos na China. Alfredo Despaigne, Yasiel González, José Noroña, Fher Cejas, Andy Vargas, Frank Herrera e Yankiel Mauris tiveram contratos confirmados com equipes chinesas, com salários estimados entre US$ 3 mil e US$ 7 mil mensais.

As denúncias reacendem o debate sobre a parcela dos rendimentos de atletas cubanos que permanece sob controle do Estado quando eles atuam profissionalmente no exterior.

Alfredo Bessow
Alfredo Bessow
0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *