O desastre atingiu, na quarta-feira, uma região remota e de difícil acesso. Uma enxurrada destruiu estradas, soterrou veículos e prédios e interrompeu o transporte, enquanto água e lama avançaram pelos rios Bhote Koshi e Trishuli, atingindo cidades e vilas
Inundações repentinas na fronteira entre Nepal e China deixaram pelo menos 392 mortos e mais de 1.400 desaparecidos, segundo autoridades dos dois países. A tragédia ocorreu após o colapso de uma geleira provocar uma torrente de água, gelo, pedras e lama.
No Nepal, são 389 mortos e mais de 900 desaparecidos. No Tibete, autoridades chinesas registraram três mortes e 558 desaparecidos. Entre os desaparecidos estão centenas de estrangeiros, incluindo indianos, americanos, australianos, britânicos, canadenses e malaios.
O desastre atingiu, na quarta-feira, uma região remota e de difícil acesso. A enxurrada destruiu estradas, soterrou veículos e prédios e interrompeu o transporte. Imagens de drones mostraram áreas devastadas e estruturas cobertas de lama.
No distrito de Nuwakot, uma das regiões mais afetadas, a lama atingiu edifícios, árvores e linhas de energia. Moradores relataram que o mercado de Dhunge foi levado pela água em poucos minutos, enquanto equipes de resgate enfrentavam dificuldades para chegar às áreas atingidas.
Entre os estrangeiros desaparecidos estão 133 indianos que participavam de uma peregrinação ao Monte Kailash, no Tibete. Também foram registrados desaparecimentos de 47 americanos, 34 australianos, 33 britânicos e 24 canadenses. A Austrália informou que seus cidadãos faziam parte de diferentes grupos de peregrinação e turismo.
Inicialmente, o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) havia informado um terremoto de magnitude 4,4. Posteriormente, a agência revisou a análise e concluiu que o evento foi um colapso glacial de magnitude 5,2, responsável por desencadear um fluxo de detritos rio abaixo.
Especialistas em clima atribuíram a inundação a uma avalanche originada em uma geleira. Segundo observações hidrológicas, o nível do rio Trishuli subiu até nove metros em apenas meia hora. O rio Lhende Khola, afluente do Bhotekoshi, sofreu as piores inundações.
Especialistas alertam que o Himalaia está cada vez mais vulnerável a eventos extremos. Pesquisadores afirmam que as geleiras do Hindu Kush-Himalaia estão derretendo rapidamente e que a taxa de perda de gelo dobrou desde 2000.
As autoridades do Nepal e da China mantêm as operações de busca e resgate, enquanto tentam localizar sobreviventes e esclarecer o número final de vítimas.





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