Nove em 10 ignoram: os sinais iniciais dessa leucemia

0 Comentários

Alfredo Bessow

Alfredo Bessow

01/09/2026

A Leucemia Linfocítica Crônica (LLC) está entre os tipos mais comuns de leucemia em adultos. Muitas vezes, é descoberta por acaso em exames de sangue de rotina, enquanto novas alternativas ampliam a precisão no diagnóstico e no acompanhamento da doença

O dia 1º de setembro é o Dia Mundial da Leucemia Linfocítica Crônica (LLC), uma data dedicada à conscientização sobre uma doença que afeta principalmente adultos mais velhos e que, em seus estágios iniciais, pode não apresentar sintomas.

A LLC está entre os tipos mais comuns de leucemia em adultos. Ela se origina na medula óssea, a partir de linfócitos, um tipo de glóbulo branco. As células alteradas podem se acumular no sangue, nos gânglios linfáticos e em outros órgãos.

Apesar de sua frequência, o desconhecimento sobre os sinais da doença permanece elevado. Uma pesquisa internacional com 846 pessoas diagnosticadas com LLC, realizada em mais de dez países, mostrou que 69% haviam apresentado algum sintoma antes do diagnóstico. Entre essas pessoas, 89% não sabiam que os sinais poderiam estar relacionados à leucemia.

A fadiga foi o sintoma mais relatado, atingindo 40% dos participantes. Também apareceram com frequência o aumento dos gânglios linfáticos, relatado por 27%, e febre ou suores noturnos, presentes em 19% dos casos.

Um dado chama atenção: em 71% dos pacientes, a doença foi identificada por meio de exames de sangue ou consultas de rotina, e não por uma investigação motivada diretamente por sintomas.

A LLC também pode provocar perda de peso sem explicação, infecções frequentes, febre e aumento do baço, que pode causar dor na parte superior esquerda do abdômen. Em muitos casos, porém, especialmente no início, não há sinais evidentes.

A doença é mais frequente em pessoas com mais de 55 anos e pode estar associada ao histórico familiar de câncer do sangue ou da medula óssea e à exposição a determinados herbicidas e inseticidas.

Após o diagnóstico, alguns pacientes permanecem em vigilância ativa. Nessa estratégia, exames periódicos acompanham a evolução da doença, sem início imediato do tratamento. Diferentemente das leucemias agudas, a LLC pode permanecer estável durante anos.

O diagnóstico geralmente começa com exame físico e hemograma completo. Uma quantidade elevada de linfócitos B pode ser um dos primeiros sinais de alerta. Exames adicionais ajudam a identificar alterações genéticas que podem indicar uma doença mais agressiva e orientar a escolha do tratamento.

O tratamento da LLC também mudou significativamente nos últimos anos. Diretrizes atualizadas em 2026 reforçam o uso de terapias direcionadas, reduzindo o papel da quimioimunoterapia quando existem alternativas mais específicas.

Entre as opções estão medicamentos que bloqueiam proteínas essenciais para a sobrevivência das células cancerosas, além de outras estratégias para casos específicos. Em situações mais avançadas, podem ser considerados transplante de medula óssea e terapias celulares, como a CAR-T.

O avanço dos tratamentos aumentou as possibilidades de controle da doença e, para muitos pacientes, permite tratamentos por períodos definidos, seguidos de fases sem medicação.

A conscientização continua sendo fundamental. Como os primeiros sinais podem ser discretos ou confundidos com problemas comuns, alterações persistentes devem ser avaliadas por um médico. O diagnóstico precoce e a avaliação especializada permitem definir o melhor acompanhamento ou tratamento para cada caso.

Alfredo Bessow
Alfredo Bessow
0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *