Principal e quase único oponente do Alcolumbre, Furlan é a esperança de um rompimento com o atraso e do início de uma nova era, em que desenvolvimento não será mais promessa, mas o cumprimento dela
Por Adriana Garcia
– jornalista, especial para o DeBrasília
Desde 2020, a trajetória política do Dr. Furlan desafia a lógica de quem imagina que o poder institucional seja suficiente para decidir uma eleição. Naquele ano, venceu o irmão de Davi Alcolumbre em uma disputa na qual seus adversários contavam com o peso das máquinas públicas estadual e municipal. A resposta veio das urnas.
Ao assumir a Prefeitura de Macapá, Furlan colocou a gestão no centro de sua atuação. Obras, serviços e projetos passaram a ocupar o espaço que, na avaliação de seus aliados, durante anos foi dominado por promessas. Em pouco tempo, consolidou-se uma liderança política respaldada por resultados e por uma proposta de gestão que conquistou amplo apoio popular.
Em 2024, veio uma demonstração ainda mais contundente de força eleitoral: Furlan foi reeleito com cerca de 85% dos votos. Novamente, enfrentou adversários respaldados por estruturas políticas e administrativas nos âmbitos estadual e federal. O eleitorado, porém, produziu uma resposta inequívoca e ampliou o alcance de sua liderança.
O resultado de 2024 transformou Furlan em um dos principais polos de poder político do Amapá. Agora, a disputa de 2026 coloca em jogo algo maior: a possibilidade de uma mudança na correlação de forças que há anos domina o estado. As ruas, as redes sociais e as pesquisas serão importantes indicadores dessa disputa, mas será o eleitor quem dará a palavra final.
Furlan surge como o principal adversário de Davi Alcolumbre e como a alternativa política daqueles que defendem uma ruptura com o modelo que, em sua avaliação, manteve o Amapá preso ao atraso. A questão central de 2026 será justamente essa: o estado continuará submetido à velha lógica de poder ou abrirá espaço para uma nova etapa, na qual desenvolvimento, emprego e oportunidades deixem de ser promessa eleitoral e passem a ser cobrança permanente por resultados?
Davi Alcolumbre mantém força política no estado, sustentada por sua estrutura econômica, eleitoral e pela influência construída em Brasília. Mas nenhum poder institucional é maior do que o voto quando o eleitor decide mudar. Se a insatisfação acumulada com grupos que permaneceram por anos no comando se transformar em voto, a eleição poderá produzir uma das mais importantes mudanças políticas da história recente do Amapá.
Nesse cenário, uma eventual vitória de Furlan, acompanhada da reeleição de Lucas, da eleição de Rayssa para o Senado e da formação de uma maioria aliada na Assembleia Legislativa do Amapá e na Câmara dos Deputados, não seria apenas uma troca de nomes. Representaria uma mudança profunda na correlação de forças e abriria caminho para um novo projeto de poder no estado.
O desafio, a partir daí, será transformar força eleitoral em transformação concreta. O objetivo defendido por seus aliados é romper com a estagnação, atrair investimentos, ampliar oportunidades e criar as condições para que o Amapá deixe de figurar entre os estados com menor desenvolvimento e avance rumo a uma posição de destaque no país.
2026, portanto, poderá ser mais do que uma eleição. Poderá ser um julgamento sobre um modelo de poder e uma escolha sobre o futuro do Amapá. De um lado, a força de uma estrutura política consolidada; de outro, a mobilização de um eleitorado que deseja mudança. Se prevalecer a segunda alternativa, Furlan terá diante de si a responsabilidade de transformar a confiança recebida das urnas em desenvolvimento, emprego, investimentos e oportunidades. É esse o desafio que poderá definir uma nova página na história do Amapá.





0 comentários