Morre criador da primeira torcida gay do Brasil

1 Comentário

Alfredo Bessow

Alfredo Bessow

19/01/2026

Criada em 1977, com apoio do Grêmio, a Coligay tinha em Volmar Santos, gerente da boate Coliseu – frequentada por gays – o seu mentor, incentivador e financiador. Existiu entre 1977 e 1983, quando ele voltou para sua terra natal, Passo fundo, para cuidar da mãe.

Morreu nessa segunda-feira, aos 77 anos, o músico, carnavalesco, colunista social, radialista e amante do futebol, Volmar dos Santos – um pioneiro a quebrar barreiras e preconceitos. Criador da Coligay, Volmar vivia em Passo Fundo, desde 1983.

Eram outros tempos, mais brutos – quem sabe, mas, acreditem, com menos intolerância. E foi neste cenário que, em 1977, os campos de futebol no Rio Grande do Sul passaram a conviver com uma rapaziada alegre, usando roupas espalhafatosas e cheios de gritos histéricos e muita irreverência. O cimento das arquibancadas do velho Olímpico e de outros estádio nunca mais foram os mesmos depois que a Coligay fez sua “estreia” em 10 de abril de 1977 em partida contra o Santa Cruz – time da Capital do Fumo – pelo campeonato Gaúcho.

A Coligay JAMAIS foi uma torcida da turma da “sopinha de letras” como quis insinuar a Globo em reportagem informando a morte de Valmor, ocorrida nesta segunda-feira, dia 19 de janeiro. Impressionante, mas esse povo não consegue aceitar a realidade.

Torcida pioneira

“A Coligay era uma ideia antiga, eu já pensava nisso há tempos. Sempre fui gremista fanático e sempre tive vontade de organizar uma torcida. Achava os torcedores do Grêmio muito parados, que não sabiam incentivar o time. Então, no início de 1977, quando eu senti que o Grêmio realmente iria ser o campeão, decidi formar o grupo” disse o criador da Coligay e fanático pelo Grêmio. E funcionou, tanto assim que a torcida recebeu o título de “pé quente”.

Acredite: depois do surgimento da Coligay, outros clubes tentaram roubar o pioneirismo dos gremistas identificados com o time das três cores. Mesmo com uma história curta, o grupo dos rapazes rodou todo o interior do Rio Grande do Sul atrás do Grêmio. Como prova de paixão, chegaram a alugar uma kombi para que pudessem acompanhar o Grêmio em todos os cantos do estado gaúcho.

Reconhecimento

Muitas vezes estereotipado como um time racista e homofóbico, o Grêmio sempre reconheceu a pluralidade e respeito as opções individuais. Além de ser o time com a primeira torcida gay, o hino do Grêmio foi composto por Lupicínio Rodrigues e a estrela dourada na bandeira oficial é homenagem a Everaldo Marques da Silva – lateral esquerdo titular da seleção brasileira na Copa de 70 no México.

Alfredo Bessow
Alfredo Bessow
1 Comentário
  1. Ino

    Rapais, não sabia que existiu torcida gay no futebol 😅😅

    Responder

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *