29 de Outubro 01:52
ACM Neto é eleito prefeito de Salvador (BA)

Candidato venceu a eleição na cidade contra Nelson Pelegrino, do PT, com quase 54% dos votos válidos

João Domingos, Estadão
Atualizada às 22h31

A eleição do deputado Antonio Carlos Magalhães Neto para a prefeitura de Salvador, neste domingo, 28, significou não só uma sobrevida para seu partido, o DEM, mas uma derrota tripla do PT: da própria presidente Dilma Rousseff, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do governador Jaques Wagner (PT), que pessoalmente jogaram tudo o que podiam para ajudar o petista Nelson Pelegrino.
Com eleição de ACM Neto, com 53,5% dos votos válidos, a oposição passa a governar o terceiro maior colégio eleitoral do País (1.881.544 eleitores) e o DEM fica muito maior do que entrou. ”A importância da minha eleição não é para o DEM, é para Salvador. Mas Salvador é a terceira maior cidade do Brasil e a maior do Nordeste. Então, o resultado tem peso nacional. Evidentemente, o Brasil inteiro acompanhou esta eleição – e ela tem implicações políticas”, disse ACM Neto. A vitória do neto do ex-senador Antonio Carlos Magalhães representa também o ressurgimento do “carlismo”, mas um pouco diferente, visto que ele não é partidário da chamada “política do chicote”, adotada pelo ancestral. Mas a prefeitura vai projetá-lo para projetos futuros, como candidaturas a governador e até a presidente pela oposição.
ACM Neto venceu uma disputa acirrada, com baixarias de lado a lado. Sofreu críticas pessoais tanto da presidente Dilma Rousseff quanto de Lula. Este fez um comício na quarta-feira para dizer que ACM vinha falando mentiras “sórdidas”, ao atribuir a criação do Bolsa-Família ao avô Antonio Carlos Magalhães. Numa referência à estatura de ACM Neto, que tem cerca de 1,65 metros, Dilma disse num comício, no dia 19, que Salvador não merecia “prefeito pequenininho”.
Durante toda a campanha, o PT bombardeou os eleitores de Salvador com a necessidade de o prefeito estar alinhado com os governos federal e estadual, a única forma, segundo o partido, de tirar a capital baiana do “buraco”. Dilma, Lula e Jaques Wagner repetiram a mesma afirmação. ACM Neto respondeu que em outras cidades os prefeitos não são alinhados e nem por isso não conseguem fazer uma administração. Disse que vai procurar o governador petista e dizer a ele que a eleição passou e que pretende fazer parcerias. Garantiu que não vai renunciar à prefeitura para concorrer à sucessão de Wagner.
Nelson Pelegrino, que começou a campanha muito atrás de ACM Neto, chegou a equilibrar a disputa. Ele disse que as maiores dificuldades para sua campanha foram duas greves de mais de cem dias deflagradas pela Polícia Militar e pelos professores da rede estadual. Os dois setores foram fundamentais para a eleição e reeleição de Wagner em 2006 e 2010. “Isso atrapalhou demais minha candidatura”, disse Pelegrino ao Estado. Nos encontros com os professores muitas vezes ele foi recebido com o verso “você pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão”, da música “Vou festejar”, de Jorge Aragão. Nos debates, ACM Neto o provocava, ameaçando cantar a frase.
O clima de disputa foi acirrado até o fim. Ao se dirigir neste domingo no início da tarde à Faculdade de Administração da Universidade da Bahia, para votar, ACM Neto encontrou um grupo de militantes do PC do B e do PT. Eles gritavam frases como “um, dois, três, ACM no xadrez”. Em resposta, partidários do futuro prefeito respondiam com “já ganhou” e “rua, rua, mensaleiros”. A PM teve de fazer um corredor polonês para que ACM Neto passasse.
Houve bate-boca, seguido de empurra-empurra entre os grupos. A entrada da faculdade acabou sendo bloqueada pelos manifestantes, o que impediu o acesso de eleitores da seção ao local. Mesmo com a presença ostensiva da polícia, as provocações continuaram. Quando ACM Neto se retirou, um dos manifestantes pró-Pelegrino tentou dar uma rasteira em um aliado do candidato do DEM. O rapaz reagiu com um soco no rosto do agressor. Mesmo com toda a confusão registrada na porta de entrada da seção eleitoral, ninguém foi preso. O major que comandava os PMs disse que tudo aquilo era “crime eleitoral”, mas não levaria ninguém preso porque precisaria de mais de um caminhão para o transporte.
 

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