18 de Julho 08:41
Executivo do HSBC renuncia por escândalo de lavagem de dinheiro

O Senado norte-americano acusou o banco de ignorar alertas e falhar em impedir essas transações realizadas durante uma década (de 2001 a 2010).

  • Ft.: Reuters/Gary Cameron David Bagley (e) e Paul Thurston (d), altos executivos do HSBC, olham documentos durante testemunho no Senado, em Washington, nessa terça-feira, 17.
  • Raquel Krähenbühl *
    Da RFI

    Os executivos do HSBC passaram a terça-feira dando explicações ao Senado americano sobre as acusações de que o banco foi usado para lavagem de dinheiro sujo. O chefe do departamento de controle do banco, David Begley, renunciou ao cargo durante a sabatina.

    Durante mais de um ano o Congresso americano preparou um relatório de mais de 400 páginas que constatou que unidades do HSBC foram usadas nos lugares mais perigosos do mundo, como México, Arábia Saudita, Irã e Síria, para fazer transferências de bilhões de dólares ligadas a cartéis de drogas e a grupos terroristas. O Senado acusou o banco de ignorar alertas e falhar em impedir essas transações realizadas durante uma década (de 2001 a 2010).

    O presidente da subcomissão permanente de investigação do Senado, o democrata Carl Levin, falou que a cultura do HSBC foi poluída por muito tempo e que acabar com a movimentação de capital ilícito que financia essas atrocidades é um imperativo da segurança nacional.

    Os executivos do banco lamentaram o que aconteceu e pediram desculpas. Eles reconheceram que o banco falhou algumas vezes em cumprir as normas que os reguladores exigem e se comprometeram a tomar providências para que o erro não se repita. Uma delas – anunciada durante o interrogatório – foi o fechamento de negócios nas Ilhas Cayman.

    O chefe do departamento de controle do banco, David Begley, não resistiu à pressão e renunciou ao cargo durante a sabatina. Mais cabeças podem rolar durante essa investigação e o HSBC pode ser forçado a pagar uma multa que, de acordo com o Financial Times, pode ser de US$1 bilhão.

    O Departamento de Justiça americano também está investigando o banco.

    Alguns detalhes da investigação

    O gigante HSBC foi usado por cartéis de drogas mexicanos tentando enviar dinheiro para os Estados Unidos, por bancos sauditas que tinham ligações com grupos terroristas e por iranianos que queriam burlar as sanções americanas.

    O relatório mostrou transferências suspeitas feitas entre 2007 e 2008 por uma unidade do banco no México para uma afiliada nos Estados Unidos no valor de US$ 7 bilhões em dinheiro. De acordo com a investigação, o HSBC no México tem um grande número de clientes de alto nível envolvidos com o tráfico de drogas.

    A investigação também revelou que o HSBC trabalhou intensamente com o banco Al Rajhi da Arabia Saudita. Alguns donos do banco estavam ligados ao financiamento de terrorismo. Há evidências de que o fundador do banco foi um dos primeiros financiadores do grupo terrorista Al Qaeda.

    Outra revelação do documento envolvia o Irã. Uma afiliada americana do HSBC ignorou sanções contra o país e realizou cerca de 25 mil transações, de aproximadamente US$ 20 bilhões, entre 2001 e 2007.

    O HSBC Brasil também é citado no relatório, por sugerir manobras para burlar o controle americano contra operações com países considerados, por Washington, como patrocinadores do terrorismo, como Cuba e Irã. Mas a questão não foi priorizada pelos senadores americanos, já que o relatório não afirma que a operação seja ilegal.

    * Com a colaboração de Raquel Krähenbühl, correspondente da Rádio França Internacional em Washington.

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