10 de Julho 23:59
Retirada das incandescentes do mercado marca o fim de uma era

A primeira lâmpada de incandescência foi patenteada em 1880 pelo americano Thomas Edison, com o mesmo desenho bojudo que apresenta até hoje.

Por Gilberto Grosso*

No último dia 30 de junho teve início a primeira etapa do processo que proibirá definitivamente a fabricação, importação e comercialização de lâmpadas incandescentes no Brasil, com conclusão prevista para 2016. É o fim de uma era. Os algozes do seu banimento atendem pelos nomes de sustentabilidade, economia e eficiência energética.

A primeira lâmpada de incandescência foi patenteada em 1880 pelo americano Thomas Edison, com o mesmo desenho bojudo que apresenta até hoje. Ao longo de todo esse período, a única mudança significativa foi no seu filamento, o fio interno que emana luz e calor -, que no início era de carbono e, atualmente, de tungstênio. Mas, depois de atravessar incólume todo o século XX, a lâmpada incandescente adentrou o XXI como o exemplo acabado de desperdício e ineficiência, uma vez que seu filamento emite apenas 10% de luz e gera 90% de calor.

O Brasil não é o pioneiro nesse cuidado com a sustentabilidade, suspendendo as incandescentes como gastonas de energia elétrica. Outros países já aboliram ou estão em vias de acabar 100% com essas lâmpadas já neste ano, ao mesmo tempo em que o nosso país dá o seu pontapé inicial no processo.

Cuba, por exemplo, vem restringindo as incandescentes desde 2007, e a União Europeia encerra o processo em setembro de 2012 (embora tenha iniciado em 2009 com a proibição da 100W). Na Austrália, quase todos os modelos de incandescentes estão proibidos desde 2009, restando apenas as lâmpadas decorativas maiores de 40W e halógenas, cujo suspiro final deve acontecer em outubro de 2012. E até nossos vizinhos argentinos iniciaram o programa com mais antecedência, em 2008.

A China, responsável pela fabricação de 70% das lâmpadas incandescentes de todo o mundo, anunciou no final do ano passado seu programa, propondo a extinção dos modelos iguais ou superiores a 100W a partir de outubro de 2012, chegando à de 60W no final de 2014 e à de 15W em 2016. Com isso, extinguirá o desperdício de energia gerado por cerca de 1 bilhão de incandescentes utilizadas no país.


Datas marcadas
Desde o dia 30, portanto, a lâmpada incandescente de 150W não pode mais ser fabricada nacionalmente ou importada. Todavia, os fabricantes e importadores que ainda tiverem estoques deste modelo têm autorização para comercializá-lo até o dia 30 de dezembro de 2012. E os lojistas, por sua vez, poderão vendê-lo para os consumidores até 30 de junho de 2013, quando o mesmo estará definitivamente banido.

No Brasil, não existe lei determinando a proibição da fabricação ou importação e comercialização das incandescentes, como muitos acreditam. O que existe é uma Portaria Interministerial de n° 1007, de 31/12/2010, na qual o Inmetro - Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia - estabelece a eficiência luminosa mínima para as lâmpadas incandescentes, em patamares muito altos, que inviabilizam sua fabricação.

Estima-se que 350 milhões de incandescentes estejam em uso, hoje, no país, sendo responsáveis pela iluminação de 80% das residências. O principal modelo comercializado é o de 60W, que será proibido totalmente somente em junho de 2015.

Com a saída gradual das incandescentes de tetos e abajures, a aposta é que o consumidor migrará para as lâmpadas chamadas de econômicas, ou seja, as compactas fluorescentes que consomem 80% menos energia elétrica. Todavia, uma parte desse mercado irá também para a incandescente halógena – modelo de lâmpada com bulbo igual a atual incandescente de tungstênio, porém 30% mais eficiente. Mas ambas não devem fazer história pois, ao que tudo indica, serão rapidamente substituídas pelas lâmpadas com tecnologia LED (light emitting diode), as grandes vedetes da atualidade e que deverão representar 50% da iluminação mundial até 2015 e, segundo expectativas internacionais, ao redor de 80% em 2020.

A única certeza é que essa transição aumentará, e muito, a comercialização das 190 milhões de compactas fluorescentes que se estimam consumir anualmente, hoje, no Brasil, além dos outros tipos de lâmpadas. É uma oportunidade para as empresas sérias em iluminação e com marcas consagradas há anos no país, mas também uma porta aberta para aventureiros que imaginam que vão ganhar dinheiro fácil importando produtos de qualidade duvidosa.

Sobre isso, fica a lembrança de 2007, época do “apagão”, quando proliferaram dezenas de marcas de lâmpadas completamente desconhecidas, que sumiram com a mesma rapidez com que se lançaram no mercado. Não sem antes, porém, deixar um rastro de consumidores enganados e frustrados com o desempenho dos produtos que compraram “baratinho, baratinho”.

* Gilberto Grosso é Lighting Professional, possui ampla experiência na área de iluminação e é atualmente Diretor Comercial da Avant, referência nacional em soluções para iluminação.

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