21 de Julho 08:59
Começa hoje, 21, a disputa pelo comando da ONU

O novo secretário-geral será eleito por todos os países-membros da ONU, porém, e esta é a parte mais importante, como nas outras oito eleições desde 1945, em um candidato recomendado pelo Conselho de Segurança

  • Irina Bokova, diretora-geral da UNESCO é a candidata favorita para sucessão do posto de Ban Ki-Moon como novo secretário-geral da ONU
  • Por Eduardo Graça
    - correspondente da RFI* em Nova York

    A largada oficial para a disputa pelo novo secretário-geral da ONU começa nesta quinta-feira (21). O Conselho de Segurança da instituição sediada em Nova York começa a analisar os 13 candidatos que, indicados por seus respectivos países, se apresentaram para o cargo mais importante da ONU, cujas missões centrais são a de manter a paz e a segurança mundial, promover o progresso social e ser, na prática, a guardiã-mor dos direitos humanos no planeta. A diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, é a favorita.

    O atual secretário-geral, o ex-chanceler coreano Ban Ki-Moon, está no posto desde 2007, e foi duramente criticado pela ausência de protagonismo na crise da Síria, sendo apelidado por seus opositores de “secretário invisível”, especialmente se comparado ao seu antecessor, o ganense Kofi Annan, que colocou na pauta da ONU a necessidade de uma sensível reforma da instituição.

    O novo secretário-geral será eleito por todos os países-membros da ONU, porém, e esta é a parte mais importante, como nas outras oito eleições desde 1945, em um candidato recomendado pelo Conselho de Segurança. Antigamente, não se sabia sequer quem eram os competidores. Desta vez a corrida eleitoral vai ser um pouco mais transparente, com todos os candidatos, que precisam ter a indicação oficial de seus respectivos países, anunciados publicamente.

    Metade das candidatas são mulheres

    As cinco potências vencedoras da Segunda Guerra Mundial, os EUA, a Rússia, a França, a Grã-Bretanha e a China, que têm lugar cativo no Conselho, seguirão tendo poder de veto ao indicado, mas também não lançaram nomes na disputa. Na prática, o novo secretário-geral da ONU sairá, como nos anos anteriores, de um consenso entre estes países. Há, também, uma tradição informal de rotatividade para o posto entre regiões do planeta, e a vez é da Europa Oriental. Há uma pressão, nos corredores da ONU, para que pela primeira vez uma mulher seja indicada ao posto. Por isso, a franca favorita, hoje, é a diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova, que nos anos 90 comandou a política externa da Bulgária.

    No total, 12 candidaturas foram oficialmente indicadas pelos países-membros e, pela primeira vez na história da ONU, metade delas são de mulheres. Além de Bokova, são fortes candidatas a ex-primeira-ministra da Nova Zelândia, Helen Clark, que hoje comanda o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (o PNUD), e a atual chanceler argentina, Susana Malcorra, que foi chefe de gabinete de Ban Ki-Moon. Correm por fora a diplomata costa-riquenha Cristiana Figueres, que atuou por seis anos como secretária-executiva da Conferência do Clima e o ex-primeiro-ministro português António Guterres, que esteve à frente da agência da ONU para os refugiados até o ano passado. Outros seis candidatos oriundos da região dos Bálcãs.

    Primeira disputa na era das redes

    Esta é a primeira disputa que acontece na era das redes sociais. E a pressão por transparência de grupos e organizações não-governamentais como o 1 for 7 Billion e o Equality Now, com apoio entusiasmado da Anistia Internacional e dos ativistas do Avaaz, já conseguiu tentos como a realização de debates públicos e sabatinas transmitidas no site da ONU entre os candidatos.

    Entre os principais temas tratados nestes encontros estavam a resolução de conflitos na Síria, Iêmen e Líbia, a crise dos refugiados na Europa, a necessidade de fortalecimento da Organização Mundial da Saúde depois das críticas em relação ao enfrentamento do Ebola em 2014, o aumento do nacionalismo e de tensões étnicas dos dois lados do Atlântico, o aquecimento global e, especialmente, os escândalos envolvendo as tropas de paz da ONU.

    Diretora-geral da Unesco é a favorita

    Bokova tem, além do argumento geográfico, um trunfo importante: a simpatia do líder russo Vladimir Putin. Mas sua ação para a inclusão da Autoridade Palestina na UNESCO pode ser um complicador para o apoio dos EUA. A neozelandesa Clark seria a mais próxima de Londres e conta com a boa vontade do governo Obama. Guterres conta com o apoio declarado da França e de países da comunidade lusófona.

    E Malcorra gostaria de coroar a virada política à direita na América do Sul, com a unção ao cargo. Ela busca o apoio do Brasil e de Washington para o posto. Pesam contra ela, no entanto, a falta de experiência no tabuleiro geopolítico internacional e a suspeita de ter participado de uma tentativa de acobertamento, quando chefe de gabinete de Ban Ki-Moon, de um escândalo de abuso sexual de crianças por soldados da ONU em missões de paz envolvendo pelo menos 480 vítimas. O anúncio do vencedor, ou da vencedora deverá ser feito até outubro.

    * Rádio França Internacional

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