02 de Julho 20:00
Protesto anti-Brexit reúne milhares em Londres

Com bandeiras da UE, manifestantes fazem passeata até Parlamento britânico contra referendo que resultou na saída do Reino Unido do bloco europeu. "Não vamos deixar a próxima geração à deriva", diz organizador.

  • Ingleses continuam de ressaca. Jovens temem pelo futuro sem a UE
  • Da Deutsche Welle

    Milhares de pessoas marcharam no centro de Londres neste sábado (02/07) para protestar contra o referendo que resultou na saída do Reino Unido da União Europeia (UE).

    Cantando "Nós te amamos, UE", os manifestantes, a maioria jovens, agitaram bandeiras com o símbolo do bloco europeu numa passeata em direção ao Parlamento britânico.

    Preocupados sobretudo com a imigração no país, quase 52% dos britânicos votaram a favor de uma saída do bloco europeu, após uma intensa campanha pelo "Leave". Em Londres, no entanto, 60% dos eleitores votaram pela permanência na UE, e grande parte dos jovens defende a União Europeia.

    "Podemos evitar o Brexit, recusando aceitar o referendo como a palavra final, e retirar o nosso dedo do botão de autodestruição", escreveu o organizador da marcha, Keiran MacDermott em sua página no Facebook. "Não vamos deixar a próxima geração à deriva."

    "Sinto-me profundamente inseguro sobre o meu futuro. Estou participando da marcha para manifestar meu descontentamento. Aceito o resultado [do referendo], mas estou aqui para mostrar que não vamos aceitá-lo em silêncio", disse Nathaniel Samson, de 25 anos, morador de Hertfordshire, ao norte de Londres.

    Cenário de incerteza

    O referendo do último dia 23 de junho levou ao anúncio de renúncia do primeiro-ministro David Cameron, desencadeando uma batalha pela liderança do Partido Conservador, que deve ser definida em setembro, e lançando o caos na principal legenda da oposição, a Trabalhista.

    Na última quinta-feira, o ex-prefeito de Londres e deputado conservador Boris Johnson, uma das principais figuras da campanha pelo Brexit, anunciou que não vai apresentar sua candidatura ao cargo de novo primeiro-ministro britânico e à liderança de seu partido.

    Com a saída repentina de Johnson da disputa, a atual ministra do Interior, Theresa May, se tornou a favorita a ocupar o cargo.

    O anúncio de Johnson veio depois de o ministro da Justiça, Michael Gove, um dos líderes da campanha pelo "Leave" e principal apoiador do ex-prefeito londrino, anunciar que também concorreria ao cargo de premiê.

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