23 de Fevereiro 07:38
Dinamarca avalia extensão do controle de fronteiras

Depois de sete semanas de controle da fronteira com a Alemanha, a Dinamarca anunciará nesta terça-feira (23) se vai prolongar a fiscalização, que deveria terminar hoje. Apesar da queda no número de refugiados que têm chegado ao país, a expectativa é que a Dinamarca siga o exemplo da vizinha Suécia, que anunciou nesta segunda-feira (22) a extensão do controle de passaportes entre os dois países

  • Ft.: Reuters/Claus Fisker/Scanpix Denmar/ RFI O Parlamento da Dinamarca analisa lei que prevê o confisco dos bens dos refugiados, para “reembolsar” os custos da estadia no país
  • Por Margareth Marmori
    - correspondente da RFI* na Dinamarca

    Um dos principais argumentos do governo para justificar a fiscalização tem sido o controle pela Suécia dos passaportes dos passageiros que chegam da Dinamarca. O governo dinamarquês teme que milhares de refugiados sejam obrigados a ficar em seu país ao serem impedidos de viajar devido ao controle de passaportes iniciado pela Suécia.

    A fiscalização na fronteira com a Alemanha começou no último dia 4 de janeiro. Esta é a terceira vez que a medida será prolongada com o objetivo de conter a entrada de refugiados que tentam buscar asilo na Dinamarca ou atravessar o país rumo a outras nações escandinavas. Desde o início do controle, o número de refugiados que chega à Dinamarca caiu drasticamente. Na primeira semana da fiscalização da fronteira, em janeiro, o país recebeu quase 639 refugiados e, na semana passada, esse número caiu para apenas 190.

    O Acordo de Schengen, que estabeleceu a livre circulação de pessoas entre países europeus, prevê que o controle, em situações extraordinárias, possa ser estendido por até dois anos. Já a ministra da Infraestrutura da Suécia, Anna Johansson, disse nesta segunda-feira (22) ao jornal Sydsvenskan que o controle não tem prazo para acabar enquanto não houver uma solução para a crise dos refugiados.

    Segundo ela, o fluxo de imigrantes ainda não é suficientemente pequeno para justificar o fim do controle de passaportes. De acordo com o governo sueco, aproximadamente 4 mil e 200 pessoas pediram asilo à Suécia em janeiro. Em dezembro passado foram 14 mil pedidos de asilo.

    Controle poderá ser ainda mais rígido na Dinamarca

    Na Dinamarca, esse controle poderá se tonar ainda mais rígido. Atualmente, a fiscalização na fronteira com a Alemanha é feita pela polícia dinamarquesa, mas a ministra da Integração, Inger Støjberg estuda a possibilidade de dividir o ônus do controle com as empresas de transporte e de passageiros. Assim como acontece com empresas aéreas, as companhias de ônibus e de trem teriam que verificar a identificação dos passageiros que pretendem viajar para a Dinamarca.

    Dinamarqueses estão divididos

    Pesquisas de opinião divulgadas recentemente mostram que os dinamarqueses estão divididos em relação ao problema. Segundo essas pesquisas, metade da população não quer que o país receba mais refugiados, mas há muitos que protestam contra a linha adotada pelo governo. Nos últimos dias, diversas personalidades do meio artístico criticaram duramente a política de imigração da Dinamarca, o que gerou grande debate no país.

    Esta semana, um outro fato deixou claro que a política de imigração adotada pelo atual governo não é unanimidade entre os dinamarqueses. Prefeitos de diversos municípios vieram a público para, surpreendentemente, pedir para receber mais refugiados.

    Os prefeitos desses municípios tentam há anos reverter o esvaziamento populacional de vilarejos localizados em ilhas e regiões remotas do país. Com a queda no número de habitantes, a economia dessas localidades entrou em decadência. Os governos desses municípios acreditam que os refugiados poderiam aquecer a economia local com a criação de empregos em setores de serviços a serem prestados aos novos moradores.

    * Rádio França Internacional

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