15 de Fevereiro 08:14
Enfrentamento ao Aedes aegypti segue como uma das pautas prioritárias do governo

Semana começa com operações focadas no combate ao mosquito em seis regiões administrativas

Por Ádamo Araujo, Amanda Martimon e Jade Abreu
- da Agência Brasília

Brazlândia, São Sebastião, Plano Piloto, Lago Sul, Lago Norte e Gama receberão, a partir desta segunda-feira (15), vigilantes ambientais, da Secretaria de Saúde do Distrito Federal. Cerca de 700 profissionais visitarão essas regiões dando prosseguimento às ações de combate aos focos do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, da chukungunya e do zika vírus. Dez equipes estarão equipadas com bombas costais e borrifarão veneno em locais propícios à proliferação do inseto.

Das 18 às 22 horas, 10 carros fumacês percorrerão as ruas dessas localidades. O diretor de Vigilância Ambiental em Saúde, Divino Martins, explica que o horário escolhido para ação é estratégico em função da menor incidência de ventos. “Durante a chuva e com fortes correntes de ar, o produto se dispersa muito facilmente”.

O vilarejo de Vendinha, em Padre Bernardo (GO), situado a cinco quilômetros de Brazlândia, receberá atenção especial já nesta segunda-feira. Martins acredita que será possível percorrer as pouco mais de 1 mil casas do perímetro em apenas um dia, pois o fumacê tem capacidade para borrifar o produto em até duas mil residências. O trabalho ocorrerá em Vendinha a pedido do governador em exercício de Brasília, Renato Santana, durante a solenidade de sábado (13) que marcou o Dia de Mobilização para o Combate ao Aedes aegypti. “São cerca de 15 mil habitantes (em Vendinha) e quase 70% das pessoas estão com dengue”, justificou.

Juntamente com os agentes, 100 militares do Corpo de Bombeiros reforçarão as atividades no bairro de Padre Bernardo. “Estaremos no suporte à Vigilância Ambiental, entrando em casas, orientando moradores e eliminando criadouros”, disse o representante da corporação no DF para o enfrentamento ao vetor da dengue, chikungunya e zika, major Omar Oliveira.

Até o fim deste mês, o combate ao inseto em Brasília receberá o reforço de 30 carros de fumacê, adquiridos pela Secretaria de Saúde. Atualmente, o governo dispõe de 11 deles. Foram comprados também 27 veículos especificamente para deslocamento de equipes de combate ao mosquito, 30 bombas costais para dispersão de inseticida e 12 mil armadilhas. O investimento chega R$ 9 milhões. Também nesta segunda-feira, 3.060 militares das Forças Armadas iniciarão, no Distrito Federal e em 100 cidades do Brasil, a terceira fase da ação de combate ao mosquito. O objetivo é visitar residências, conversar com a população e distribuir material informativo com orientações de como evitar o acúmulo de água parada.

Agefis

A Agência de Fiscalização (Agefis) também está engajada na erradicação dos focos de dengue. São 210 inspetores da Superintendência de Fiscalização de Limpeza Urbana empenhados em identificar entulhos passíveis de abrigar larvas do inseto. A superintendente Adriana Moreira frisa que esse trabalho é cotidiano, mas ganhou reforço com o crescente número de casos de infecções por picada do mosquito. “Nosso planejamento se baseia nos dados coletados pelos vigilantes ambientais e pelos bombeiros. Com base na observação deles, elaboramos nosso plano de ação".

Quando constatado um aglomerado de entulho que possa contribuir para a formação de criadouros, a Agefis identifica o responsável e dá até cinco dias de prazo para o recolhimento do material. Caso não seja cumprido, a multa aplicada pode variar de R$ 74 a R$ 185 mil, dependendo da quantidade, local de descarte e tipo de lixo.

Tendas

Segundo a Secretaria de Saúde, 143 pessoas procuraram, neste domingo (14), a unidade de atenção à dengue — tendas de apoio para o diagnóstico da doença montadas na área externa do Hospital Regional de Brazlândia. Foram feitos 136 exames e confirmados 48 casos da doença. No sábado (13) ocorreram 117 testes rápidos e diagnosticados 39 casos de dengue. Na sexta-feira (12), 150 atendimentos originaram 134 exames, que confirmaram 60 casos. No dia anterior, 111 pessoas estiveram no local, com 102 testes realizados e 55 diagnósticos positivos. São seis médicos e quatro enfermeiros em atendimento e a quantidade inicial de leitos (10) foi ampliada para 15. A estrutura funciona de segunda a sexta-feira, das 8 às 18 horas, com possibilidade de ampliação para os fins de semana. Há capacidade para 250 pacientes diariamente. Brazlândia é a região administrativa com mais casos confirmados da doença em todo o Distrito Federal neste ano. Foram 420 de um total de 1.587, de acordo com Informativo Epidemiológico nº 6, divulgado pela Secretaria de Saúde na sexta-feira (12).

Sintomas

Em um período em que o combate ao Aedes aegypti e às doenças transmitidas pelo mosquito têm recebido espaço nas mídias e nas redes sociais, é importante identificar os sintomas e o que é cada enfermidade. De acordo com o Ministério da Saúde e a Secretaria de Saúde, as características das doenças são parecidas e podem confundir-se. Em todos os casos, há dores no corpo, coceira, febre (alta para a dengue e a chikungunya e baixa para o zika vírus) acima de 39º C, manchas vermelhas e coceiras. Contudo, a coceira da zika é relatada pelos enfermos como mais intensa em relação às outras duas doenças, e as dores da chikungunya são mais fortes. Os primeiros tratamentos também são os mesmos: hidratação e repouso. A depender da evolução da doença no organismo, os médicos podem adotar outras abordagens, como analgésicos, acompanhamento clínico e dermatológico.

Dengue

O primeiro sintoma da dengue é febre acima de 39º C. De acordo com Ministério da Saúde, a alta temperatura pode durar até uma semana. Em seguida, aparecem as dores na cabeça, no corpo, na articulação e nos olhos. O enfermo também pode ter coceira na pele, náuseas e vômitos. Para detectar o vírus, o diagnóstico pode ser feito pelos testes rápidos nos hospitais e nas Unidades de Pronto-Atendimento da rede pública, com resultados prontos em duas horas. A Secretaria de Saúde também faz exames de sangue — que identificam se o corpo já produziu anticorpos da doença — e o teste Reação de Polimerase em Cadeia (PCR, sigla em inglês), que verifica a presença do vírus no organismo. Os dois ficam prontos de 3 a 4 dias.

De acordo com a secretaria, é comum o doente tomar antitérmicos ou analgésicos que aliviem os sintomas, mas as dores retornam ao passar o efeito do medicamento. A pasta ressalta que a pessoa deve consultar um médico orientar e ficar atento com o componente ácido acetil salicílico (AAS), que pode provocar hemorragia. Até o momento, não há vacina contra a doença nem tratamento específico.

Zika

Causada por vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, a doença ainda não tem tratamento específico nem vacina. Os sintomas duram, geralmente, entre 2 e 7 dias. Os principais são: dor de cabeça, febre baixa, dores leves nas articulações, erupção na pele (manchas vermelhas), coceira e vermelhidão nos olhos. Ainda que menos frequentes, outros sintomas são inchaço no corpo, dor de garganta, tosse e vômitos. Como não há tratamento específico nem vacina, o Ministério da Saúde recomenda, para os casos sintomáticos, o uso de acetaminofeno (paracetamol) ou dipirona para o controle da febre e da dor. No caso de erupções que causam coceira, os anti-histamínicos podem ser indicados pelo médico. A relação entre o aumento de microcefalia no País e a infecção por zika, porém, foi confirmada pela pasta no ano passado. A maior preocupação recai sobre as mulheres grávidas. Para elas, a recomendação é passar repelente e evitar os focos do mosquito.

Chikungunya 

Diferentemente das demais, os sintomas da Febre Chikungunya nem sempre se manifestam de maneira clara. O Ministério da Saúde informa que em 30% dos casos o doente não apresenta as características de febre alta; dores de cabeça, nos músculos e nas articulações de pés, mãos, dedos, tornozelos e pulsos, além de machas vermelhas na pele. O órgão do governo federal também afirma que a pessoa fica imune após ter sido contaminada na primeira vez. Entretanto, não há vacina ainda para a febre. Desde o início do ano, cinco moradores de Brasília tiveram chikungunya. Desses, três foram contaminados no Nordeste (dois em Pernambuco e um na Bahia), e os outros dois estão em investigação. 

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