15 de Fevereiro 07:18
Ex-premiê israelense começa a cumprir pena de prisão

O ex-primeiro-ministro israelense Ehud Olmert, de 70 anos, começou, nesse domingo, a cumprir pena de 19 meses de prisão por recebimento de suborno, na época que foi prefeito de Jerusalém (1993-2003), e obstrução de Justiça. É a primeira vez na história de Israel que um ex-premiê é preso, o que deteriora ainda mais a visão que os israelenses têm de seus líderes.

  • Ft.: Reuters/ Debbie Hill/ RFI Ehud Olmert, após o anúncio da sua condenação
  • Por Daniela Kresch
    - correspondente da RFI* em Tel Aviv

    Nos últimos anos, há uma onda de ações na Justiça contra parlamentares, autoridades do governo e da polícia em casos de corrupção e crimes sexuais.

    Olmert chegou à prisão pouco depois volta das 9h50 da manhã (8h50 horário de Paris). Antes de sair de casa, ele divulgou um vídeo de três minutos admitindo erros, mas rejeitando as acusações pelas quais foi indiciado e levantando a possibilidade de que se trata de perseguição política.

    “Durante o período de minha intensa atividade, cometi erros e estou pagando um preço alto por parte deles. Talvez alto demais”, disse Olmert no comunicado gravado. “Peço para levantar a possibilidade de que a bola de neve no meu caso tenha inchado por uma série de motivos não apenas legais. Talvez, quando passe a tormenta e o interesse volte à proporção normal, as coisas sejam interpretadas de maneira diferente, com dimensões mais sensatas”.


    Os seguidores do ex-primeiro-ministro acreditam que opositores queriam vê-lo fora do poder porque ele estava prestes a firmar um acordo de paz com os palestinos.

    Cumprirá pena em ala especial

    Olmert cumprirá a pena na prisão Ma’assiahu, na cidade de Lod (Centro do país), onde há uma ala especial, a de número 10, para autoridades de alto escalão. A ala, com nível alto de segurança e capacidade para 18 detentos, foi renovada recentemente a um custo de US$ 1 milhão para receber o ex-primeiro-ministro.

    Por saber segredos de Estado, Olmert não poderá entrar em contato com presos de outras alas, que poderiam chantageá-lo em troca de informações.

    Ehud Olmert governou Israel de 2006 a 2009 pelo extinto partido de centro Kadima. Ele renunciou quando foi indiciado por recebimento de fundos ilegais de campanha, emissão de notas frias em pagamentos de viagens pessoais e concessão de beneficios a empreiteiros no projeto Holyland – um complexo residencial em Jerusalém – na época que foi prefeito da cidade, entre 1993 e 2003.

    Após cinco anos de ações e apelações, o ex-primeiro-ministro foi inocentado no caso das nota frias, mas, em 2014, foi sentenciado a seis anos de prisão pelo recebimento de suborno de pouco mais de US$ 140 mil e a concessão de benefícios no caso Holyland.

    Em dezembro de 2015, no entanto, o tempo de cadeia foi diminuído a 18 meses depois de uma apelação que o inocentou no caso Holyland e o montante do suborno caiu para US$ 15 mil.

    Para selar finalmente a sentença, ele recebeu, há duas semanas, mais um mês de cadeia por obstrução de Justiça por ter ordenado à sua leal secretária que omitisse informações à Justiça. A secretária, no entanto, gravou as conversas entre os dois e entregou tudo à Promotoria.

    Empresários e funcionários também foram condenados

    Além de Olmert, mais cinco empresários e ex-funcionários da prefeitura de Jerusalém começam hoje a cumprir penas depois de condenados nos mesmos casos que envolvem o ex-premiê.

    Na mesma ala especial da prisão Ma’assiahu também cumpre pena, há cinco anos, o ex-presidente e ex-ministro do Turismo Moshe Katsav, de 70 anos, até então a autoridade de maior escalão a ir para a prisão. Katsav cumpre pena de sete anos por estupro e assédio sexual de diversas ex-funcionárias do Ministério do Turismo e da Presidência.

    Além de Olmert e Katsav, dois ex-ministros cumprem penas por corrupção, no momento. Ex-chefes de polícia também estão sendo investigados por assédio sexual. Recentemente, dois parlamentares – entre eles o ex-chanceler e ministro do Interior Silvan Shalom – renunciaram depois serem acusados de crimes sexuais.

    * Rádio França Internacional

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