18 de Julho 19:17
Depois do Mundial, Brasil recebe a Copa de futebol de robôs

Até o momento, cerca de 400 times de 45 países já se inscreveram para a competição, num total 4 mil participantes

  • RoboCup começa neste sábado, 19, na Paraíba
  • Por Lúcia Müzell
    Da RFI - Rádio França Internacional

    Se alguém já está saudade de Copa do Mundo, a partir deste sábado uma nova competição mundial de futebol vai começar. Nessa, nenhum jogador corre o risco de levar uma mordida no ombro ou uma joelhada na coluna, mas a emoção também entra em campo. Trata-se da RoboCup, a competição mundial de futebol de robôs, que pela primeira vez vai acontecer no Brasil, em João Pessoa.

    A inteligência artificial e o equilíbrio são os maiores desafios para os criadores destes craques. Ao contrário do futebol de verdade, na RoboCup são os japoneses e americanos que despontam como os maiores craques.

    Alexandre da Silva Simões, pesquisador da Unesp e um dos coordenadores do evento, conta que a ideia da Copa surgiu depois que um robô venceu pela primeira vez o campeão mundial de xadrez. Agora, o desafio é que um time de máquinas seja capaz de superar o campeão do mundo de futebol em 2050.

    “Muita gente pode achar que esse objetivo é irreal. Mas muita gente também pensava que o computador não ganharia do ser humano no xadrez”, constata. “As ligas mais antigas da RoboCup apresentaram uma evolução muito grande. Existem algumas em que a gente praticamente não consegue mais ver a troca de passes entre os robôs, de tão rápida que é.”

    Simões relata que os robôs não são controlados por nenhum humano: eles próprios tomam as decisões em campo, inclusive a organização tática da equipe. “Eles são totalmente autônomos. Não estamos falando de um jogo de videogame moderno”, afirma. Os “jogadores” também são capazes de ver o que está dando mais ou menos certo ao longo da partida. “Eles aprendem durante o jogo. Às vezes, começam com uma certa formação, mas ao longo do jogo aprendem que o lado direito está dando mais certo, então mudam. Eles fazem tudo que um time de futebol deveria fazer.”

    Expectativa brasileira

    Até o momento, cerca de 400 times de 45 países já se inscreveram para a competição, num total 4 mil participantes. Uma das equipes é coordenada pelo professor Reinaldo Bianchi, do Centro Universitário da FEI, de São Bernardo do Campo. Na categoria small size, marcada pela rapidez, o time já foi quatro vezes campeão brasileiro.

    “O jogo mais interessante de assistir é o dessa categoria, porque os robôs correm, são rápidos, chutam com muita velocidade. Nessa categoria, a minha expectativa é de que a gente fique pelo menos entre os quatro melhores”, aposta. “Se até a nossa equipe de robôs de verdade ficou entre os quatro melhores do mundo perdendo por 7 a 1 da Alemanha, a gente também tem que conseguir ficar pelo menos entre os quatro melhores.”

    Neste ano, a equipe de Bianchi começou a disputar em uma das categorias de humanoides. O professor explica que os robôs precisam ter dois braços, duas pernas e, sobretudo, conseguir manter o equilíbrio, uma tarefa nada fácil.

    “Quando o juiz apita, a gente aperta o botão e o robô faz tudo sozinho: tem que procurar a bola sozinho, ir até a bola, conversar com o outro robô, via wifi, para saber qual dos dois vai na bola – e tudo sozinhos. Como essa é a tecnologia de ponta, a que mais está se desenvolvendo, os jogos ainda não são tão interessantes porque os robôs caem muito”, conta. “Quando um robô consegue chegar na bola, as pessoas aplaudem muito. E se ele chutou, é um delírio! Já na outra categoria, tem muitos gols, muita torcida e parece um jogo de verdade.”

    Alexandre Simões observa que o Brasil teve um avanço significativo na área de robótica nos últimos sete anos, acompanhando uma tendência mundial de valorizar o setor. “Há oito anos, o Brasil praticamente não participava da RoboCup. De lá para cá, a gente se tornou uma das maiores comunidades do evento. Salvo engano, somos a sexta maior comunidade. A robótica deve ser uma das maiores áreas de pesquisa nos próximos anos, no mundo inteiro”, destaca, lembrando que as grandes companhias de tecnologia, como a Google, têm investido na compra de fabricantes de robôs.

    A RoboCup não é só futebol: o evento também tem várias outras categorias, como a de tarefas domésticas ou a de logística. A organização da competição espera receber cerca de 60 mil visitantes, até o dia 25 de julho.

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