27 de Maio 08:53
Ex-diretor de campanha de Sarkozy confessa fraude e derruba direção do partido UMP

Em entrevista ao canal de BFM-TV, na noite desta segunda-feira, o ex-diretor-adjunto da campanha de Sarkozy admitiu que o partido utilizou notas frias da Bygmalion

  • Ft.: Divulgação Ex-diretor-adjunto da campanha de Sarkozy em 2012, Jérôme Lavrilleux, chora durante entrevista ao canal BFM-TV, ao relatar fraudes na contalibidade do partido
  • Por Adriana Moysés e Elcio Ramalho
    da RFI *

    O líder do partido conservador UMP, Jean-François Copé, anunciou sua demissão do cargo nesta terça-feira (27), pressionado depois que seu chefe de gabinete, Jérôme Lavrilleux, confessou chorando, ontem à noite na televisão, que o partido emitiu cerca de 11 milhões de euros (33,3 milhões de reais) de notas frias durante a campanha de Sarkozy em 2012. Na época da fraude, Lavrilleux ocupava o cargo de diretor-adjunto da campanha presidencial.

    O novo escândalo de suspeita de financiamento ilegal da campanha de Sarkozy está sendo chamado de Bygmalion, nome da empresa de comunicação que emitiu as notas frias. O esquema, segundo denúncias, serviu para desviar gastos exorbitantes da campanha de Sarkozy, que eram limitados por lei a 22,5 milhões de euros. A fraude também teria beneficiado financeiramente os donos da Bygmalion, amigos de Copé.

    Em entrevista ao canal de BFM-TV, na noite desta segunda-feira, o ex-diretor-adjunto da campanha de Sarkozy admitiu que o partido utilizou notas frias da Bygmalion para justificar despesas de comícios e deslocamentos do ex-presidente que ultrapassavam o teto autorizado pela lei. Chorando diante das câmeras de TV, Lavrilleux assumiu a responsabilidade pela fraude, e explicou que foi vítima de "uma engrenagem que foi longe demais". Lavrilleux tentou inocentar Sarkozy e Copé, dizendo que eles não tinham conhecimento do esquema de notas frias.

    A empresa Bygmalion chegou a emitir notas frias em nome de deputados que sequer tinham conhecimento da fraude. Furiosos, eles exigiram a demissão de Copé. Na manhã de hoje, em uma reunião extraordinária do diretório do partido, Copé jogou a toalha. Ele anunciou sua demissão e de toda a cúpula do partido. A medida será efetiva no dia 15 de junho.

    A confissão pública de Lavrilleux levou a polícia a realizar uma devassa na sede do partido. Uma dezena de policiais passaram a madrugada recolhendo documentos na sede da UMP e nas casas de personalidades citadas no escândalo.

    Amigos relatam descontentamento de Sarkozy com as acusações

    O tesoureiro da campanha de Sarkozy, Philippe Briand, nega qualquer irregularidade nas contas apresentadas pelo ex-presidente. No entanto, em julho do ano passado, o Conselho Constitucional já havia apontado irregularidades no valor de 400 mil euros nas contas da campanha. Por conta disso, a UMP deixou de receber 10 milhões de euros do financiamento oficial previsto pelo Estado. Para cobrir o rombo no caixa, a legenda realizou uma campanha de arrecadação excepcional junto dos militantes.

    Sarkozy ainda não comentou o caso Bygmalion. Mas amigos do ex-presidente dizem que ele está profundamente "descontente" que seu nome seja associado à fraude das notas frias.

    O advogado da empresa Bygmalion declarou que as notas frias foram apresentadas a pedido da UMP.

    Diante do escândalo e da demissão da cúpula do partido, ficou definido que três ex-premiês franceses - François Fillon, Jean-Pierre Raffarin e Alian Juppé - vão comandar a legenda até a realização de um Congresso extraordinário do partido no segundo semestre.

    Quanto a Jérôme Lavrilleux, ele foi eleito deputado pela UMP no Parlamento Europeu, no último domingo, e espera se beneficiar da imunidade parlamentar.

    * Rádio França Internacional

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