31 de Março 15:46
Alta produtividade no Sul consolida safra recorde de grãos

Desempenho histórico do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul na produção de soja e milho compensou as perdas em estados do Nordeste, aponta Rally da Safra

O Rally da Safra 2013 confirmou, no campo, a safra recorde de soja 2012/13 que alcançará 84,4 milhões de toneladas de soja – contra 66,4 milhões de toneladas em 2011/12 – um aumento de 27% obtido principalmente pelo desempenho dos Estados do Sul. O número pré-Rally, divulgado no início da expedição, era 84,2 milhões de toneladas.

O Rio Grande do Sul foi a principal surpresa da expedição, com produtividade recorde de 49 sacas por hectare e safra de 13,5 milhões de toneladas (contra 6,5 milhões de toneladas na safra passada). O Paraná registrou a maior produtividade do Brasil – e também a maior já obtida pelo Estado - com 56 sacas por hectare e produção de 15,8 milhões de hectares (em 2011/12 foi de 10,9 milhões de toneladas). Já Santa Catarina chegou a 54 sacas por hectare e 1,6 milhão de toneladas.

No Centro-Oeste, o destaque positivo foi Goiás, com 54 sacas por hectare. O Mato Grosso ficou pouco abaixo da expectativa, com média de 52 sacas por hectare.

Esses resultados compensaram as quebras de safra no Nordeste, especialmente no Piauí, que teve a pior produtividade no País em função da estiagem de 45 dias: 31 sacas por hectare. A seca também afetou a Bahia trazendo um resultado abaixo do esperado, com 42 sacas por hectare.

Houve forte expansão da área plantada de soja no país na safra 2012/13, saindo de 25 milhões de hectares para 27,8 milhões de hectares. O avanço ocorreu sobre pastos ao leste e norte do Mato Grosso, na região do MAPITO (Maranhão, Piauí e Tocantins) e na metade sul do Rio Grande do Sul. O crescimento se revela conservador, já que essa região do Rio Grande do Sul ainda dispõe de muita área para soja, podendo surpreender ainda mais na safra 2013/14.

A incidência de lagartas foi verificada pelas equipes do Rally da Safra de Norte a Sul do país. A presença da falsa medideira (Pseudoplusia includens), da lagarta da maçã do algodão (Heliothis virescens) - antes restrita a regiões onde havia cultivo de algodão, e das lagartas do gênero Helicoverpa - ocasionou mudanças nos custos de produção, já que em várias regiões os produtores se viram obrigados a fazer mais duas aplicações para controle dos insetos. Algumas áreas da Bahia e de Minas Gerais (mais secas) sofreram maior ataque das lagartas, no entanto, os técnicos também as encontraram no Paraná e Rio Grande do Sul.

Com relação à ferrugem, como muitas regiões tiveram chuva tardia, o controle acabou sendo facilitado. Apenas no Rio Grande do Sul, por conta da chuva em excesso, a ferrugem exerceu pressão maior nas lavouras.

Milho Verão

Com produtividade recorde no Sul do País, o milho verão alcançou 36,7 milhões de toneladas na safra 2012/13, com produtividade média de 85 sacas por hectare. Na safra 2011/12, a produtividade foi de 75 sacas por hectare, em razão das chuvas ocorridas em abril e maio. O Paraná chegou a 145 sacas por hectare (o maior volume foi de 131 sacas na safra 2010/11); Santa Catarina registrou 120 sacas por hectare (a melhor produtividade havia ocorrido na safra 2010/11, com 109 sacas) e o Rio Grande do Sul atingiu 97 sacas por hectare (a produtividade máxima registrada no Estado foi 88 sacas na safra 2010/11).

Goiás também apresentou ótima produtividade, com 144 sacas por hectare (na safra passada, foram 133 sacas por hectare). Minas Gerais exerceu influência no resultado da safra, com 102 sacas por hectare (foram 100 sacas por hectare em 2011/12). Um conjunto de fatores garantiu esses resultados: a chuva na hora certa, o pacote tecnológico de adubação e defensivos, e as boas sementes utilizadas pelos produtores.

Houve queda de 364 mil hectares na área plantada de milho verão, com o aumento da área de soja. No total, são 7,19 milhões de hectares.

 Já a safrinha deve crescer ocupando a área de soja e chegar a 8,88 milhões de hectares, alcançando 36,7 milhões de toneladas na safra 2012/13. Com relação às perdas na colheita, o Rally da Safra estima em 1,4 saca/ha de soja. Na safra passada, a perda foi de 1,2 saca/ha, enquanto que em 2010/11, foi de 2,0 sacas/ha.

Na avaliação de uso de transgênicos, a média brasileira foi de 88% da soja, contra 87% no ano passado.

Década de crescimento

O Brasil vivenciou uma década de crescimento significativo na agricultura. Os números são impressionantes:
. Na soja, a área plantada cresceu 50% - de 18,5 milhões de hectares em 2002/03 para 27,8 milhões de hectares em 2012/13 – uma expansão de 4,1% ao ano;
. a produção aumentou 62% – de 52 milhões de toneladas para 84,4 milhões de toneladas – 4,9% ao ano;
. a produtividade subiu 0,8% ao ano - de 46,9 sacas para 50,7 sacas.
. nesse período pode-se destacar: o surgimento e controle da ferrugem; o melhoramento genético e a precocidade dos grãos.
. No caso do milho, a área plantada foi ampliada em 18% – de 13,2 milhões de hectares em 2002/03 para 15,6 milhões de hectares em 2012/13 - uma elevação de 1,7% ao ano;
. a produção cresceu 55% - de 47,4 milhões de toneladas para 73,4 milhões de toneladas – 4,4% ao ano;
. a produtividade saiu de 59,8 sacas para 78,4 sacas.
. nesse período o destaque ficou principalmente para o melhoramento genético e a transgenia.

Os principais desafios para os próximos 10 anos são:

Logística (exportação de grãos e importação de fertilizantes)
Lidar com as consequências da Biotecnologia
Concentração e consolidação dos produtores
Cooperativas da nova geração
Seguro agrícola e mecanismos de proteção de renda
Apagão de mão de obra
Sustentabilidade (implantação do Código Florestal, conversão de pasto em lavoura e integração lavoura-pecuária-floresta).

10ª edição

O Rally da Safra 2013, principal expedição técnica de avaliação da safra brasileira de grãos, chegou à décima edição. As 7 equipes do Rally avaliaram as produtividades das lavouras de soja e milho por estado, as principais pragas, doenças e plantas daninhas, levantaram a participação de transgênicos, as perdas na colheita, condições logísticas (armazenagem e vias de escoamento), níveis de fertilidade do solo e uso de plantio direto, entre outros aspectos da produção. Pela primeira vez, o Rally avaliou as características físicas e nutricionais da soja, focando em teor de óleo e de proteína, com metodologia desenvolvida pela Universidade Federal do Mato Grosso e patrocínio da Aprosoja MT, fechando, assim, a mais completa radiografia da safra brasileira.

A edição de 10 anos do Rally da Safra é organizada pela Agroconsult e patrocinada pela Vale, Banco do Brasil, Intacta RR2Pro (tecnologia para soja da Monsanto), Soy Solution (soluções em soja da Dow AgroSciences), Fertilizantes Heringer e Mitsubishi Motors, além de contar com apoio da Fiesp, Fundação Agrisus, Impar Consultoria, Aprosoja Mato Grosso, Esalq-Log, Saci Soluções, Universidade Federal de Viçosa, EnviroLogix, Pacifil/ Brasken e PECEGE-Esalq/USP. O trabalho das equipes e o roteiro completo da expedição podem ser acompanhados pelo www.rallydasafra.com.br

Sete equipes técnicas percorreram, entre 28 de janeiro e 13 de março, mais de 60 mil quilômetros, colhendo amostras nas lavouras de milho e soja do país em 11 estados: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Bahia, Tocantins, Piauí e Maranhão, além do Distrito Federal. Esses estados representam 96,6% da área cultivada de soja e 72,3% da área com milho no Brasil. Foram coletadas aproximadamente 900 amostras de lavouras e realizados 8 eventos regionais, com público estimado de 2 mil produtores e técnicos, além de visitas e encontros com produtores.

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